Eu nunca fui uma santa. Eu sou um ser humano e eu apronto às vezes. Katy Perry

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Teenage Dream - parte 1

São 22:30. Eu termino de fazer minha trança, calço minha sandália e entro no carro. Minha casa de praia é perto de Capão da Canoa, onde fica a festa. Tanto que estou 50 minutos atrasada. Chegamos no galpão onde está acontecendo a festa. Meu pai pega a carteira e tira duas notas de 50 reais.
-Caso você precisar.- Disse ele e deu uma piscadela.- Volte de táxi, eu já terei saído de casa a hora que você vai voltar.- Ele diz isso, eu dou um beijo na bochecha dele e entro no galpão. Me lembrei que eu tinha que mandar uma mensagem para minha amiga quando eu havia chegado na festa. Ela me respondeu dizendo que estava na frente do bar e estava me esperando com  mais quatro amigos.
Me direciono até o bar e encontro Luiza pulando junto com seu namorado Xavier. Eu toco em seu ombro e ela pula em mim com um abraço. Eu a abraço de volta e me leva para conhecer os seus amigos. Primeiro eu cumprimento o Xavier com um abraço. Depois conheço dois amigos de Luiza, Carla e Rodrigo. São namorados a três anos. Depois vejo uma menina se esfregando em uma garoto que, pela expressão facial, não estava gostando muito daquilo. Eram dois amigos de Luiza. Mas não namorados.
-Aquela se esfregando no garoto é a Hajij. Ela veio de um intercâmbio da Índia e vai passar um mês aqui. Ela se esfrega nele porque acha que isso é sexy e vai atrair ele.-Disse Luiza.
Então chegamos perto dela e ela me deu um abraço. Rápido, pois não queria perder tempo, queria continuar a se esfregar no menino que eu nem sabia o nome. Finalmente chego no garoto que Hajij estava se esfregando. Eu não tinha percebido o quanto ele era bonito. Alto, musculoso, moreno, olhos castanhos como o cabelo e um sorriso lindo.
- E esse é o Gabriel.- Disse Luiza voltando rapidamente para seu namorado Xavier.
Dei um abraço em Gabriel, e, quando eu menos esperava, ele mirou na minha bochecha e me deu um beijo estalado. Sorri rápido para ele não perceber. Fiquei aí mesmo, entre Luiza e Gabriel.. E Hajij pendurada em Gabriel.
Depois de tanto ver a menina se pendurando em Gabriel, avisei Luiza que ia no bar pegar uma cerveja. Enquanto me direcionava ao bar, Gabriel perguntou para Luiza aonde eu estava indo. Ela deu as informações e, quando Hajij se desprendeu de Gabriel por segundos ele já havia desaparecido.
Sentada no bar tomando um Martini de cereja, vi que Gabriel se sentou no banco do lado do meu. Pedi mais um Martini e o direcionei para ele. Quando ele viu, sorriu docemente para mim.
Não me aguentando mais falei:
-Qual é a da Hajij? Ela fica se esfregando em você desse jeito...
Ele rindo falou:
-Bom, ela gosta de mim desde quando a gente começou a fazer faculdade de Biologia juntos na UCS de Caxias do Sul.
-Nossa, você faz biologia? Eu também faço. Na verdade é biologia marinha. Eu fasso na Unisinos.
-Nossa, que legal! Na verdade, eu não sabia como a gente podia visitar lugares com tantas espécies diferentes de animais e... ai, a Hajij está vindo pra cá!
Num impulso eu peguei minha bolsa, paguei os dois Martinis e peguei duas cervejas. Segurei Gabriel pela mão e o levei na direção do banheiro. Entreguei a ele as duas garrafas de cerveja e entrei no banheiro. 2 minutos depois eu já havia saído. Quando saí já comecei a explicar:
-Desculpa fazer tudo tão rápido, eu só não queria ver a Hajij se esfregando em todo mundo, porque eu acho aquilo tão nojento!
- É, eu também. Obrigada por me salvar dessa -Disse ele me entregando uma das cervejas- e obrigada pela cerveja. Bom acho que devemos voltar para onde a gente tava, com a Luiza e o Xavier.
-Isso, vamos pra lá.
Nos direcionamos até o nosso grupo e continuamos lá até um bom tempo. Nem sinal de Hajij por lá.
Se passou um bom tempo e vimos Hajij pendurada em um homem forte que vinha em nossa direção. Ela nos apresentou o rapaz. Ele era jogador de futebol e Hajij nem deixou ele terminar, ela já estava beijando o rapaz. Eu e Gabriel nos olhamos e sorrimos aliviados.
De repente o DJ começou a falar:
-Peguem os seus pares, está na hora da slow dance.
Quando percebi, a festa inteira estava cada um com seu par. Olhei para o lado eu vi Gabriel com a mão estendida e seu sorriso doce no canto da boca. Peguei a mão dele e coloquei no pescoço dele. Ele com suas mãos delicadas em minha cintura me fez ficar mais segura sabendo que eu estava em seus braços. Acompanhando o ritmo das músicas lentas que passavam, nós só trocávamos olhares. Ele se aproximou um pouco mais. O meu coração definitivamente disparou. As nossas bocas estavam a poucos centímetros de distância uma da outra. Era só mais um movimento e...
Luiza chegou me cutucando por trás para me avisar que Xavier estava passando mal e eles estavam indo para casa. Dei um beijo e um abraço nela. Gabriel vez o mesmo. Nos encaramos. As mãos dele tocaram as minhas. Eu respirei fundo, peguei o máximo de ar possível. Estávamos novamente frente a frente um do outro. Minhas mão tremiam, ele sentia isso. Então ele as apertou levemente, fazendo meu coração disparar.
A gente estava a poucos centímetros de distância um do outro quando meu celular começou a tocar. Era o despertador. Já eram 5:00 horas da manhã. Estava na hora de ir embora, por mais que eu quisesse ficar, eu tinha que ir para casa. Dei um beijo demorado na bochecha de Gabriel, abanei para Hajij e o jogador e para o outro casal que estava conosco. Saí do galpão e peguei o primeiro táxi que chegou. Dei as coordenadas para ele e ele me deixou a duas quadras de distancia da minha casa. Disse que o seu filho estava para nascer e que tinha que ir para o hospital. Falei que não tinha problema, paguei o dobro ao taxista e desejei boa sorte.
Segui alguns passos sozinha até minha casa. Quando vi que um carro estava vindo, fui para a direita da rua.Olhei para dentro do carro que parou do meu lado. Não estava acreditando. Era ele. Ele havia me seguido até a minha casa. Eu não estava acreditando. Ele saiu do carro, pegou a minha mãe que estava tremendo e me levou até a porta do passageiro. Abriu a porta do carro e eu entrei. Sentei ainda em choque. Ele deu a meia volta e foi em direção da praia. Eu não sabia o quanto o mar ficava lindo aquela hora da manhã.
O carro dele tinha a parte de trás aberta. Sentamos na caçamba do carro dele e ficamos ali, admirando o nascer do sol. Eu sentada ao lado dele com minha cabeça apoiada em seu ombro com uma garrafa de cerveja cada um. Era quase 6:00 horas. Estava na hora de ir para casa. Ele me abriu a porta do carro, eu entrei. Ele me olhou com um ar de tristeza. Eu respondi com outro. E daí ele ligou o carro. Me levou até a esquina da minha casa. Eu pedi para parecer que eu cheguei em casa sozinha.
Ele abriu a porta para mim e eu saí, com o coração partido. Dei a ele um abraço demorado, confortante e triste por deixá-lo, e talvés não vê-lo mais. A gente trocou os números de celular. Ele prometeu me ligar amanhã. Depois do abraço, eu fui andando, devagar, tentando não olhar para trás. Continuei caminhando devagar, e quando me virei na metade do caminho, ele vinha correndo, me pegou pelos ombros delicadamente e me deu um beijo. Era surpreendente o modo como ele me fazia sentir especial daquele jeito. Realmente, eu estava apaixonada.
Quando ele me soltou, viu uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Ele a enxugou e levantou meu rosto. Eu estava sorrindo. Era uma lágrima da mais pura felicidade. Ele sorria também. Me deu mais um beijo e me soltou. Se direcionou ao carro e entrou. Parou quando estava perto de mim. Eu fui até a janela, peguei o rosto dele entre as minhas mãos e dei um beijo nele. O beijo de despedida.
- Até amanhã meu amor.-Ele disse.
- Até amanhã meu amor.-Eu repeti.
E ele foi. Eu entrei em casa, escovei os dentes, coloquei o pijama e fui deitar na cama. E só me restavam lembranças de um amor que só começara.

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